Desigualdade Social na Região do ABC Paulista
“ Nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado. Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da Nação. Que país e este”?
Respondendo à pergunta do meu ídolo, Renato Russo nesta letra da música “Que País é Este”, é o nosso imenso e querido Brasil.
Como todos sabem, ainda vivemos uma desigualdade social discrepante em nosso país e a região do ABC Paulista também está inserida nas estatísticas das regiões onde o déficit habitacional é grande. Sim amigos, em algumas cidades da região vivem 620 mil pessoas em favelas. Um em cada quatro habitantes da região, que tem aproximadamente 2,5 milhões, moram em áreas irregulares.
De acordo com o Dicionário Aurélio, favela é: “Conjunto de habitações populares, em geral toscamente construídas e usualmente deficientes de recursos higiênicos”.
Infelizmente é neste cenário que vivem pessoas do bem, trabalhadoras, guerreiras e sempre em busca do melhor. A formação de favelas no grande ABC existe desde os anos 1950, período em que a industrialização crescia e as ocupações diversas em terrenos, encostas e morros só aumentaria, inclusive ao redor da Represa Billings.
Um dos problemas encontrados em nossa região são as áreas de risco, enchentes e deslizamentos sem condições adequadas para a construção de moradias. E por falar em enchentes, o problema já faz parte da vida de muitos moradores neste mês de janeiro/2011 (vejam nos jornais e portais da internet).
Sabemos que a falta de planejamento urbano remete à falta de vontade política para mudar essas situações para melhor. Tal planejamento já deveria ter sido feito desde o aumento de migrantes ao grande ABC (grupos vindos de outros Estados em busca de empregos na região, há décadas). O problema de hoje é ter que tirar essas pessoas de seus lares, principalmente quando ocorrem tragédias, que sempre assistimos. É preciso urbanizar e isso gera verbas para as obras. Quem cuida das obras?
São eles, os senhores prefeitos, governadores.
Apresento aqui alguns números das cidades do ABC que habitam milhares de pessoas em favelas.
Cidade | População em favelas | Número de favelas | Investimentos |
Santo André | 117 mil | 149 | R$220 milhões |
São Bernardo | 312 mil | 261 | R$697,2 milhões |
Diadema | 100 mil | 219 | R$145,7 milhões |
Mauá | 90 mil | não informado | não informado |
Grande ABC tem 620 mil pessoas vivendo em moradias precárias. Investimentos para tentar minimizar o problema chegam a R$1 bilhão.
Fonte: Jornal Diário do Grande ABC
A cidade de São Caetano do Sul não tem favelas, porém há 122 cortiços, com 747 famílias que vivem em situações difíceis , assim como nas favelas. Mas existem pessoas que dizem que essa cidade é “de 1º mundo”. Como assim?
Uma cidade que tem enchentes, moradores que vivem em lugares irregulares, pode ser considerada cidade de 1º mundo? O Brasil é de 1º mundo?
Concordo com o Sr. Vereador Gilberto Costa, de São Caetano, que em recente artigo publicado no Jornal ABCD MAIOR, diz que sua cidade ainda precisa melhorar muito para crescer e quem sabe no futuro, ser considerada uma cidade “modelo”. Para o Vereador: “São Caetano precisa parar com a propaganda, manter os bons níveis alcançados e o mais rápido possível, através das suas autoridades, trabalhar para resolver nossos grandes problemas como enchentes, saneamento básico, trânsito, poluição e outros”.
Caros amigos acompanhem o Jornal Diário do Grande ABC nos próximos Domingos e saibam mais sobre a vida de quem mora nas favelas do Grande ABC.
Por Erick Souza
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